Um leitor chocado!

Junho 29, 2009 at 11:26 pm | In Emigrar | 35 Comments

Recentemente, um “jornalista” americano, muito mal informado ou com um trabalho de pesquisa pobre, escreveu um artigo em que sugeria ao presidente Obama que aprendesse com as escolas Portuguesas.

(Sim, eu sei que dá vontade de rir. Nao, nao se riam ainda, o post nao acaba aqui).

Como notóriamente o autor do artigo nao tinha nocao da realidade das escolas e do ensino portugues, escrevi um comentário no seu site, explicando a realidade das escolas, e que o importante da educacao nao é “O Magalhaes”. Os meus leitores sabem como eu sou critico e aponto o dedo sem problemas ao que vejo que está mal… infelizmente, nem toda a gente consegue ter tal sentido critico e um leitor desse site ficou chocado e escreveu um comentário aqui no Fomos, naturalmente anónimo e sem apresentar quaisquer contra-argumentos ou factos que contrariassem as minhas criticas.

Cheguei a pensar em responder ao comentário mas achei que seria mais interessante colocar a questao aos meus leitores se se opoem a algum dos seguintes factos:

1) A Educacao em Portugal está pelas ruas da amargura (e ainda mais agora com o aperto do cerco ‘a “metade” dos professores que se preocupam com os alunos)

2) As escolas em Portugal nao teem higiene (questao cultural, mas nao só)

3) As escolas em Portugal nao teem aquecimento

4) As escolas em Portugal nao teem equipamento (nao falo de Magalhaes, mas de secretárias e cadeiras em bom estado)

5) Há professores que batem nos alunos – o que é muitas vezes visto como natural visto ser, digamos, “método educativo” vigente em Portugal

6) As escolas em Portugal teem problemas de acessibilidade para alunos com deficiencias.

7) Os professores nao teem treino/apoio (como acontece no sector privado – eu se necessitar de aprender algo para o meu trabalho, a minha entidade empregadora paga-me um curso)

Para terminar, estes factos nao foram tirados do ar ou exclusivamente de experiencias proprias. As minhas fontes de informacao sao variadas mas realco (e orgulho-me) de dois professores fantásticos que ocasionalmente me contam estorias de arrepiar sobre as escolas e o ensino em Portugal – os meus pais.

PS: Coincidencia este post ter sido escrito no mesmo dia em que recebi uma carta da escola do Mini-Fomos, em que mencionava de passagem a aquisicao de Quadros Interactivos para todas as salas da escola. É claro que esta aquisicao só acontece depois das escolas já terem, por sala, 2 casas de banho, 1 computador, equipamento escolar em bom estado, e (embora nao sendo equipamento!!!) uma professora que os trata magnificamente.

Eleicoes II

Junho 22, 2009 at 6:50 pm | In Emigrar, Política | 2 Comments

Hoje vou falar sobre os partidos politicos na Irlanda. Poderao haver erros nos meus factos históricos, mas o importante é dar uma ideia do passado da Irlanda e da origem dos principais partidos.

Como a maioria dos leitores saberá, a Irlanda pertenceu ao Reino Unido durante muito tempo e foi no início do séc. XX que um movimento de nome Sinn Féin (SF) tentaria que a ilha se tornasse numa republica…

Em 1921, o IRA (nao confundir com o Provisional IRA, responsável por várias mortes na Irlanda do Norte até ao fim dos anos 90) conseguiria a independencia da Irlanda por via militar, sendo o acordo com os Britanicos assinado pelo fundador do SF, e o histórico Michael Collins.

Dois outros detalhes relevantes desse tratado, foi a divisao da ilha como se conhece hoje (com o Ulster a ficar “na mao” dos Britanicos) e o facto da Irlanda continuar a pertencer ‘a Commonwealth (da qual apenas saiu em 1949).

Como qualquer país que se finalmente atinge a sua independencia, a Irlanda teve vários problemas a resolver, e outras orientacoes políticas surgiram. O SF continuava a querer a independencia total da Irlanda, Ulster incluído. Mais confrontos surgiram e levaram a uma guerra civil que, como podem adivinhar, foi vitoriosa para os lados dos defensores do tratado, apoiados pelos Britanicos.

As duas forcas que se opuseram nesta guerra civil deram origem a dois novos partidos politicos, ambos formados por cisoes dentro do, agora partido, SF. O Fianna Fáil (FF) foi formado pelos que se opunham ao tratado, e o Fine Gael (FG) pelos que por outro lado aceitavam a cisao da ilha.

Falta mencionar apenas o último dos 4 grandes partidos na Irlanda, o Labour, o partido mais antigo. Este nao tem origem nas lutas pela independencia da Irlanda, mas sim nos sindicatos que protegiam os direitos dos trabalhadores. Presumo que, como o seu “homónimo” britanico, seja um partido com a imagem de defensor da classe operária.

Existem outros partidos pequenos, como os Progressive Democrats que dissolverá este ano, ou o Green Party, neste momento em coligacao no governo com o FF.

A Irlanda conta ainda com uma quantidade notável de candidatos independentes. A título de exemplo, nestas eleicoes Locais os independentes tiveram 18% dos votos e 20% nas Europeias!

No próximo post irei falar um pouco do estado actual destes partidos, tentando dar uma visao imparcial, ou até a visao de um “imigrante”, sobre a actualidade política Irlandesa.

Sardinhas, bifanas e a família Fomos

Junho 11, 2009 at 1:37 am | In Emigrar | 6 Comments

A Portuguese Association of Ireland organiza este próximo Sábado, dia 13, um BBQ comemorativo do dia de Portugal e Santo António.

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Entre os vários óbvios atractivos, o claramente mais entusiasmante é que poderao conhecer a família Fomos inteira, ao vivo, e a cores, totalmente GRÁTIS! Nao percam! ;-)

Eleicoes I

Junho 9, 2009 at 12:44 am | In Dia-a-dia, Emigrar, Política | 7 Comments

Peco desculpa aos meus leitores por nao andar a escrever muito, vamos ver se recupero falando das eleicoes.

Esta semana houve eleicoes pela Europa fora, incluindo na Irlanda.  Os Irlandeses e residentes na ilha votaram para nao só para as Europeias, mas também para as Locais, elegendo os seus Councillors (Vereadores)

O sistema de voto na Irlanda é de votacao preferencial, portanto pode-se votar em quantos candidatos se quiser, mas por ordem – 1 no favorito, 2 no segundo preferido, e assim seguido.

Nas Europeias, o sistema é semelhante ao resto da Europa – sao eleitas pessoas que se vao sentar no Parlamento Europeu a representar a Irlanda. Já para as Locais, o sistema é um pouco diferente do que estamos habituados. Os Irlandeses nao votam directamente no Mayor (Presidente da Camara) mas nos Vereadores, que por sua vez decidem quem vai ser o Mayor. Como ‘a partida nao há maioria absoluta de vereadores de nenhum partido em nenhuma Town Hall (Camara), é normal haver acordos entre os partidos para a escolha do Mayor . Cada Mayor pode ter um mandato de, no máximo, 1 ano, por isso no mandato de 4 anos dos Vereadores (pelo menos) 4 deles serao Mayors.

Os boletins de voto teem as fotos dos candidatos e o seu nome. O nome do partido que representam está no boletim mas nao tem a mesma relevancia – a ideia é que se está a votar numa pessoa, num representante do eleitor, e nao num partido (claro que já se sabe que na realidade nao é bem assim…)

Outro detalhe importante é o das eleicoes serem feitas ‘as 6as. Nao sao feitas no meio da semana para que as pessoas nao tenham de viajar para o seu local de voto se for longe do local de trabalho, nao sao ‘as 2as porque sao os dias com mais feriados, e nao sao aos fins de semana porque votar é um dever civico e nao deve cortar no tempo livre das pessoas.

No proximo post falarei com mais detalhes na política e nos partidos politicos Irlandeses.

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