O testemunho de uma leitora
Fevereiro 11, 2008 at 6:43 pm | In Dia-a-dia, Emigrar, Trabalho | 13 CommentsTenho trocado emails com uma leitora do blog que muito proximamente vai comecar a trabalhar na Irlanda.
A Ana tem 23 anos, e’ Enfermeira, e acedeu a contar a sua estoria para o “Fomos” :
Acabei o curso em Julho; enviei cerca de 60 curriculos de forma espontânea e mais uns 10 para concursos (entre entregas pessoais e cartas registadas com avisos de recepção). A resposta mais frequente era, precisamente, a ausência de resposta. Nos concursos ou era excluída por não ter experiência profissional ou ficava nos números mais baixos das ditas “bolsas de recrutamento” (uma forma diferente de listas de espera na área da saúde).
Para a Irlanda…. Tive de reconhecer as minhas qualificações profissionais. Um processo moroso, é certo, que envolveu tradução e autenticação de documentos, contactos com a Ordem dos Enfermeiros Portuguesa e Irlandesa e cerca de 3 meses de muito nervosismo que levaram a um considerável aumento no número de cabelos brancos na minha cabeça. Prenda de Natal: tinha sido aceite pela Ordem Irlandesa. Contactos com o pessoal da agência de recrutamentos, marcação das entrevistas e uma viagem de uma semana a Dublin. Note-se que em Portugal nunca tinha ido sequer a uma entrevista (a não ser quando fui trabalhar para a Arcádia, uma confeitaria e chocolataria de fama aqui no Porto).
Fui escolhida à segunda entrevista. No dia seguinte a responsável pelo recrutamento tinha a minha oferta de emprego no gabinete… Fiquei, como diriam os Ingleses, “flabbergasted”… parvinha da silva, mesmo. De repente, os meus desejos de cerca de 6 meses materializaram-se no proposta no mínimo irrecusável: um salário fantástico numa das mais antigas maternidades europeias no seio de uma equipa multicultural e com a possibilidade de continuar os estudos na área de trabalho que vou exercer financiado pela instituição. Às vezes dou comigo a pensar como raio me meti nesta situação… Recusei usar de conhecimento que não o académico, neguei o sistema de cunhas e quis fazer as coisas por mérito próprio. O meu país recusou a minha oferta de honestidade e não apresentou uma pequena vaga que fosse para eu me encaixar (e, pelas almas, como procurei essa vaga). Bastou uma boa dose de paciência, aplicação dos meus conhecimentos e personalidade numa entrevista de 30 minutos e tenho trabalho cerca de 1000km a Norte. Não deixo de ficar surpreendida e surpresa por isto tudo.
Há gente que espera pelo seu “E viveram felizes para sempre”. No caso de quem parte, como eu ou a familia Fomos num futuro próximo, é mais um “E fizeram-se felizes noutro lado”…
Obrigado Ana por partilhares a estoria e confirmares que este pequeno espaco/hobby desempenha a sua funcao de ajudar as pessoas a encontrar um futuro mais risonho!
Toda a vasta (?!) equipa “Fomos” deseja-te as maiores felicidades:
May you always have work for your hands to do.
May your pockets hold always a coin or two.
May the sun shine bright on your windowpane.
May the rainbow be certain to follow each rain.
May the hand of a friend always be near you.
And may God fill your heart with gladness to cheer you.
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